quinta-feira, julho 03, 2014
Dois anos a blogar por Lisboa
O blogue Beco das Barrelas completou dois anos de publicação. Nascemos em Julho de 2012, na sequência de um passeio por Alfama.
«E se fizéssemos um blogue?» perguntámos a nós próprios, contemplando a série magnífica de vistas que tínhamos recolhido no bairro.
Fizemos um blogue ao qual decidimos chamar Beco das Barrelas, um dos recantos que visitámos naquele dia de Julho, com mais sol e mais calor que este ano.
De então para cá publicámos 326 mensagens, para as quais recebemos mais de 55 mil visualizações e centena e meia de comentários.
Ao completar dois anos, prometemos continuar
a amar Lisboa e a blogar. Visitem-nos.
quarta-feira, julho 02, 2014
SOPHIA E LISBOA
"Lisboa"
Quando
atravesso - vinda do sul - o rio
E a cidade a
que chego abre-se como se do meu nome nascesse
Abre-se e
ergue-se em sua extensão nocturna
Em seu longo
luzir de azul e rio
Em seu corpo
amontoado de colinas -
Vejo-a melhor
porque a digo
Tudo se mostra
melhor porque digo
Tudo mostra
melhor o seu estar e a sua carência
Porque digo
Lisboa com seu
nome de ser e de não-ser
Com seus
meandros de espanto insónia e lata
E seu secreto
rebrilhar de coisa de teatro
Seu conivente
sorrir de intriga e máscara
Enquanto o
largo mar a Ocidente se dilata
Lisboa
oscilando como uma grande barca
Lisboa
cruelmente construída ao longo da sua própria ausência
Digo o nome da
cidade
- Digo para
ver
Sophia
de Mello Breyner Andresen
terça-feira, junho 17, 2014
Mas o Tejo é sempre novo...
No dia 16 de Junho, pelas duas da tarde, quando o Sol ardia em Lisboa, embora não tanto como na véspera, mas mais que no dia seguinte, uma cortina de neblina descia sobre o Tejo toldando o horizonte e remetendo a paisagem mais longe para os domínios do encoberto.
Talvez fosse simplesmente o augúrio dos dias mais frios e molhados que agora se anunciam; talvez fosse apenas pelo facto de o Tejo ser, com efeito, sempre novo, todos os dias e a todas as horas diferente.
Texto João Francisco
Foto de Joana Francisca
Beco das Barrelas / D.R.
segunda-feira, junho 16, 2014
Sai um prato de gastrópodes para a mesa do canto
Os caracóis – cochleolus
como lhe chamavam os latinos - são gastrópodes da subordem dos stylommatophora que têm, entre outras, a
grande virtude de não fugirem nem darem o alarme. Num livro recente, o escritor
chileno Luís Sepúlveda diz mesmo que os caracóis, «para que lentidão e o
silêncio não os assustassem, preferiam nem falar disso e aceitavam ser como
eram com uma lenta e silenciosa resignação».
O caracol é um herbívoro que, antes do tacho,
passa por uma dieta de vinho branco e ervas aromáticas, o que o transforma num
pitéu apropriado para acompanhar cerveja gelada, a bebida mais eficaz no
combate ao calor e à sede estivais, ou vinho branco.
Os franceses cozinham as caracoletas, às quais
chamam escargots à bourguignone, mas
em Portugal os mais procurados são os caracóis miúdos, os caracóis caracolitos, cozinhados longamente no
tacho com azeite, alho, cebola, louro, orégãos, temperados após a cozedura com
sal e pimenta. As ervas e temperos em excesso – ou desapropriados, como os
caldos de carne – apenas acrescentam mais sal e disfarçam o sabor verdadeiro do pequeno molusco.
O caracol come-se no sul de Portugal e no norte de
África. É um petisco simples e despretensioso que puxa pela bebida e ambos puxam pelo convívio.
Às portas de Lisboa, Loures organiza regularmente
a feira do caracol saloio. Em Lisboa, o caracol é petisco comum nos dias de
Verão e tem algumas casas especializadas como sejam: Júlio dos Caracóis, uma grande superfície do caracol, em Chelas,
Grã Via, no Campo Grande, Adega do Rossio, na Rua 1º de Dezembro, A Tabuense, na Avenida do Brasil, A Palmeira, na Rua
do Crucifixo.
Se tem outras sugestões, deixe-as aqui, clicando ao fundo em sem comentários
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Mais comidinhas aqui:
O Mercado senta-se à mesa
sexta-feira, junho 13, 2014
AS MARCHAS DE 2014
A Marcha de Alfama foi a vencedora da 82ª edição das Marchas Populares de Lisboa 2014. O segundo lugar foi atribuído à Marcha de Alcântara e o terceiro à Marcha do Bairro Alto.
No Desfile das
Marchas Populares na Av enida da Liberdade desfilaram este ano 20 Marchas em
competição. Desfilaram ainda extra concurso as Marchas dos Mercados e do Parque
das Nações, para além da Marcha Infantil da Voz do Operário. O tema deste ano
foram os 400 anos da publicação da "Peregrinação" de Fernão Mendes
Pinto.
O prémio para
Melhor Coreografia e Melhor Figurino coube a Alcântara, enquanto Alfama
arrecadou a Melhor Cenografia. O Prémio da Melhor Letra foi atribuído ex-aequo a Alfama, Castelo e Graça.
Marvila venceu nas categorias de Melhor Musicalidade e Melhor Composição
Original. Alfama ganhou também na categoria de Melhor Desfile da Avenida.
quarta-feira, junho 11, 2014
Junto à praia do Restelo
Encomendada por
D. Manuel I, construída por Francisco de Arruda, entre 1514 e 1521,
localizada na margem direita do Tejo, junto à praia do Restelo, com a sua torre
quadrangular, o seu baluarte poligonal e a sua decoração Manuelina, a Torre de
Belém é desde 1983 Património da Humanidade.
Pode e deve ser
visitada entre as 10h00 e as 18h30. Encerra às segundas-feiras.
Foto Beco das Barrelas / D.R.
terça-feira, junho 10, 2014
10 de Junho Dia de Camões
| Número 139 da Calçada de Santana, Lisboa |
Cá nesta Babilónia
Cá
nesta Babilónia, donde mana
Matéria
a quanto mal o mundo cria;
Cá,
onde o puro Amor não tem valia,
Que
a Mãe, que manda mais, tudo profana;
Cá,
onde o mal se afina, o bem se dana,
E
pode mais que a honra a tirania;
Cá,
onde a errada e cega Monarquia
Cuida
que um nome vão a Deus engana;
Cá,
neste labirinto, onde a Nobreza,
O
Valor e o Saber pedindo vão
Às
portas da Cobiça e da Vileza;
Cá,
neste escuro caos de confusão,
Cumprindo
o curso estou da natureza.
Vê
se me esquecerei de ti, Sião!
Luís
Vaz de Camões, Sonetos
Foto Beco das Barrelas / D.R.
terça-feira, junho 03, 2014
Do cotovelo da terra à pestana do mundo...
UM ACONTECIMENTO:
33 anos após a estreia, a Companhia de
Teatro A Barraca repôs a peça “Fernão Mentes?”, adaptação de Hélder Costa da “Peregrinação”
de Fernão Mendes Pinto. Como então se dizia, “'Fernão Mendes Pinto somos nós'.
Como agora ainda diz Hélder Costa, “Um pouco como nós todos, não é?”
Com uma nova montagem mas com o mesmo texto, baseado no
monumento da literatura mundial que é a “Peregrinação”, “Fernão Mentes?” mantém
a música original de José Afonso, Fausto Bordalo Dias e Orlando Costa que fez o
grande espectáculo musical dos anos 80. Em cena mantêm-se dois dos actores do
elenco de há 33 anos, Maria do Céu Guerra e João Maria Pinto.
O espectáculo vai estar em cena no Teatro da Trindade,
em Lisboa, de 19 a 29 de Junho, com horários às 21 e 30 e aos domingos às 18
horas, e depois n'A Barraca, em Santos.
Grande Final: Quando às vezes ponho diante dos olhos...
Quando às vezes ponho diante dos olhos
Os tormentos passados e os fados que chorei
Arde o corpo em oração entre pecado e perdão
Agonia o coração e arde o corpo
Do cotovelo da terra á pestana do mundo
Fui treze vezes cativo dezassete vendido
Mataram os mares milhares num gemido
Ai de mim sou missionário
Foge cafre já sou corsário
Marinheiro voluntário
Ai de mim...
(Fausto Bordalo Dias, Por este rio acima)
sexta-feira, maio 30, 2014
Mudos que falam, surdos que respondem
84ª edição da Feira do Livro de Lisboa
800 mil euros de investimento
250 pavilhões
900 iniciativas
Um Banco dos Bens Doados, com livros, novos ou
usados, para crianças
30 espaços de restauração
Um ecrã gigante para seguir o Mundial de Futebol
Parque Eduardo VII
29 Maio a 15 de Junho, de segunda a quinta das 12h30 às 23h, às sextas até às 24h, sábados das 11h às 24h e domingos das 11h às 23h.
29 Maio a 15 de Junho, de segunda a quinta das 12h30 às 23h, às sextas até às 24h, sábados das 11h às 24h e domingos das 11h às 23h.
O livro
é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que
vive.
Padre António Vieira
O mundo está cheio de livros fantásticos que ninguém lê.
Umberto Eco
Não há livro tão mau que não tenha algo de bom.
Dom Quixote
Ainda vale a pena comprar na Feira do Livro?
Pergunta e responde o Jornal de Negócios. Leia aqui
Ainda vale a pena comprar na Feira do Livro?
Pergunta e responde o Jornal de Negócios. Leia aqui
sexta-feira, maio 16, 2014
Saem as sardinhas

Há uma sardinha em forma de
quiosque (à esquerda), outra em forma de pasta de dentes (em baixo à direita).
Sete sardinhas - seis apresentadas
por portugueses e uma por um mexicano - venceram o concurso de criatividade
lançado pela Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC).
Cerca de cinco mil participantes apresentaram sardinhas a
concurso. O júri avaliou mais de 8000 propostas de sardinhas, este ano. A maioria
são sardinhas portuguesas mas vieram sardinhas a concurso de Itália (301),
Brasil (289), Grécia (215), Espanha (169) e até da China (13 sardinhas).
As sardinhas
vencedoras vão andar por Lisboa no mês de Junho para promoção das Festas da
Cidade.
Quanto às sardinhas propriamente
ditas ainda há que esperar um pouco mais até que pinguem no pão.
quinta-feira, maio 15, 2014
TOBIS or not TOBIS, eis a questão
De
há uns anos para cá as políticas em Portugal acabam todas com o mesmo filme:
privatiza-se. A Tobis Portuguesa, herdeira da Companhia Portuguesa de Filmes
Sonoros Tobis Klangfilm, foi privatizada no Outono de 2011, adquirida por
investidores angolanos por sete milhões de euros, a base de licitação pela qual
foi posto à venda. E agora os antigos estúdios de cinema ali estão, na Quinta
das Conchas, ao Lumiar, a produzir um filme mudo e parado no tempo. 
A
Tobis tinha 79 anos e enquanto houve cinema em Portugal – desde a Canção de Lisboa e do Pátio das Cantigas - foi ali que se fez.
E assim foi até chegar ao poder uma casta política que acaba com tudo: a
agricultura, as pescas, os transportes, o teatro, o cinema. É uma espécie de
praga, pior que a dos escaravelhos das palmeiras ou os besouros dos pinheiros.
A
Tobis foi fundada em 1932 e já neste século investiu fortemente em tecnologia
para pós-produção de imagem e som. Poucos anos após esse investimento foi
alienada pelo Estado.
E
agora? Agora, vamos para intervalo.
domingo, maio 04, 2014
MORAL E MURAIS DE ABRIL
Escrito a letras douradas sobre fundo preto, este mural da Calçada da Glória, da autoria do pintor Mais Menos, para a Galeria de Arte Urbana de Lisboa, regista a moral de Abril, 40 anos depois: letras douradas sobre fundo de luto.
Quando e onde não há moral, nem todos comem.
Fotografia de Francisco
Texto de João
segunda-feira, abril 28, 2014
A ÚLTIMA CEIA: ELES COMEM TUDO
Nas cadeiras do poder, à mesa do Orçamento, profetas e discípulos da crise e da austeridade sem fim.
A Liberdade defende-se, exercendo-a.
A Última Ceia, pintura de Nomen para o Gabinete de Arte Urbana de Lisboa.
Calçada da Glória, Abril de 2014.
Foto de Francisco
Texto de João
sábado, abril 26, 2014
LIBERATRIX
Na tua mão, sombrio cavaleiro,
Cavaleiro vestido de armas pretas,
Brilha uma espada feita de cometas,
Que rasga a escuridão como um luzeiro.
Caminhas no teu curso aventureiro,
Todo envolto na noite que projectas...
Só o gládio de luz com fulvas betas
Emerge do sinistro nevoeiro.
(Responde o negro cavaleiro-andante)
É porque esta é a espada da Verdade.
Firo, mas salvo... Prostro e desbarato,
Mas consolo... Subverto, mas resgato...
E, sendo a Morte, sou a Liberdade.»
Mors Liberatrix, Antero de Quental
Pintura de Tinta Crua para o Gabinete de Arte Urbana de Lisboa, Calçada do Carmo, 2014
Pintura de Tinta Crua para o Gabinete de Arte Urbana de Lisboa, Calçada do Carmo, 2014
Foto Francisco
edição João
sexta-feira, abril 25, 2014
A LIBERDADE GUIANDO O POVO
Da mulher das barricadas para Salgueiro Maia, capitão de Abril, dos «três dias gloriosos» do povo de Paris, em Julho de 1830, para o 25 de Abril 1974 em Portugal, de Paris para a Calçada da Glória, do Louvre para a arte urbana de Lisboa, de Eugène Delacroix
para Carlos Farinha: LIBERDADE SEMPRE
para Carlos Farinha: LIBERDADE SEMPRE
Foto Francisco
Texto João
sexta-feira, março 28, 2014
REAPARECEU A PLACA NO PRÉDIO QUE FOI SEDE DA PIDE
FOI REPOSTA PELA CML, NO DIA 22 DE ABRIL PASSADO, A PLACA QUE RECORDA OS MORTOS DE HÁ 40 ANOS SOB AS BALAS DISPARADAS PELOS PIDES DA JANELA DA SEDE DA POLÍCIA POLÍTICA SOBRE A MULTIDÃO.
A PLACA É IDÊNTICA À QUE DESAPARECERA. ATÉ MANTÉM O ERRO NO NOME DE UMA DAS VÍTIMAS. SEGUNDO REPORTAGEM DE MIGUEL CARVALHO NA REVISTA VISÃO, O NOME JOSÉ GUILHERME REGO ARRUDA ESTÁ ERRADO: A VÍTIMA CHAMAVA-SE JOÃO ARRUDA, ERA ESTUDANTE DE FILOSOFIA, NATURAL SE
S. MIGUEL, AÇORES.
Desapareceu a placa colocada na sede da antiga PIDE, na Rua António Maria Cardoso, nº 22, em Lisboa, onde agora funciona um condomínio de luxo.
A placa original foi colocada num muro em frente da antiga sede da PIDE, por iniciativa de um grupo de cidadãos, em 1980. Veio a desaparecer, tal como a actual, e quando foi reposta mudou para local mais discreto.
sábado, fevereiro 22, 2014
Em defesa da calçada portuguesa
Do Maio de 68
ficara uma imagem poética – como tantas outras daqueles tempos -, segundo a
qual debaixo dos pavés se poderia
encontrar a praia (bastava arrancar os
pavés que poderiam, entretanto, ser lançados contra a polícia). O novo revestimento
e a nova imagem passaram a ser muito mais duros e irremediáveis: para chegar à
praia não bastaria levantar os pavés
mas seria necessário, prioritariamente, remover o inamovível betão.
Parece que
chegou o tempo de Lisboa remover os seus pavés
– a calçada portuguesa que até há pouco era louvada como criação da cultura
portuguesa exportável e universal.
Até é de crer que
alguém em Lisboa esteja convencido que está a defender uma boa causa, com esta ideia
peregrina de substituir parte da calçada portuguesa, pois vai assim garantir a segurança
dos que já mal se equilibram nas pernas, quanto mais em calçada que cristalizou
no sistema triclínico.
Mas se o poder
da cidade está tão preocupado com a segurança dos munícipes que circulem na calçada,
manda reparar as ruas empedradas que apresentam dificuldades à mobilidade, dando
trabalho aos calceteiros, segurança às pessoas e beleza às ruas de Lisboa.
Está a correr uma
petição pública contra a retirada da calçada portuguesa aprovada pela
Assembleia Municipal de Lisboa. Leia, medite e se estiver de acordo assine, aqui:
sexta-feira, fevereiro 14, 2014
Amor Lisboa
(...) Como estão próximos os nossos ombros!
Defrontam-se e furtam-se,
negam toda a sua coragem.
De vez em quando,
esta minha mão,
que é uma espada e não defende nada,
move-se na órbita daqueles olhos,
fere-lhes a rota curta,
Poderosa e plácida.
Amor, tão chão de Amor,
que sensível és...
Sensível e violento, apaixonado.
Tão carregado de desejos! (...)
Amor,
Irene Lisboa
quarta-feira, fevereiro 12, 2014
Retrato da cidade sem-abrigo
| A cidade é um chão de palavras pisadas, poema Cidade, de José Carlos Ary dos Santos |
A cidade de Lisboa contava, em Dezembro do ano passado, 852 pessoas sem-abrigo,
na sua maioria homens, portugueses, solteiros e sem fontes de rendimento,
segundo um levantamento cujos resultados são hoje apresentados pela Santa Casa
da Misericórdia.
Na contagem,
realizada a 12 de Dezembro de 2013, foram sinalizados 509 pessoas sem-abrigo na rua e
343 que dormiram em Centros de Acolhimento nessa noite.
As freguesias
de Santa Maria Maior (antigas freguesias de Mártires, Sacramento, Santa Justa, São
Nicolau, Madalena, Sé, Socorro, São Lourenço, São Cristóvão, Santiago, Castelo,
São Miguel e Santo Estevão) e do Parque
das Nações registaram a maior concentração, com 83 pessoas cada, seguidas de
Santo António (Coração
de Jesus, São José e São Mamede), com 64.
Segundo a
Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, na origem da situação de exclusão estão,
na maior parte dos casos, conflitos familiares e relacionais, o desemprego e a
doença física ou mental.
A grande
maioria dos sem-abrigo inquiridos é homem (87%) e tem entre 35 e 54 anos (48%),
seguido pelo escalão 55-64 anos (20%). A pessoa mais nova contactada tem 16
anos e a mais velha 85.
Quanto à
educação, um terço concluiu o ensino secundário, técnico ou superior, 4,6% têm
qualificações superiores e 7,7% não sabe ler nem escrever.
A grande
maioria (71,8%) não tem atualmente qualquer fonte de rendimento e 68,9% recebe
apoio na alimentação. Mais de 45% têm problemas de saúde.
Dos
inquiridos, 54,2% dizem ter filhos, mas 36,2% não mantêm contacto em eles.
Contudo, 13,8% afirmam ter contacto diário ou quase diário e 66,8% tem
contactos frequentes com outros familiares.
domingo, janeiro 26, 2014
segunda-feira, janeiro 20, 2014
A poesia de Ary dos Santos não morreu há 30 anos

O poeta José Carlos
Ary dos Santos deixou-nos há 30 anos, em 18 de Janeiro de 1984. Mas não morreu,
porque a poesia não morre. E a poesia de Ary dos Santos – poeta de Lisboa e do seu
povo - continua viva.
Retrato do Povo de Lisboa
É da torre mais alta do meu pranto
que eu canto este meu sangue este meu povo.
Dessa torre maior em que apenas sou grande
por me cantar de novo.
Cantar como quem despe a ganga da tristeza
e põe a nu a espádua da saudade
chama que nasce e cresce e morre acesa
em plena liberdade.
seminua nas docas de Lisboa
que eu ganho a minha voz
caldo verde sem esperança
laranja de humildade
amarga lança
até que a voz me doa.
Mas nunca se dói só quem a cantar magoa
dói-me o Tejo vazio dói-me a miséria
apunhalada na garganta.
Dói-me o sangue vencido a nódoa negra
punhada no meu canto.
José Carlos Ary dos
Santos, Fotosgrafias
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