E foi assim que às 11 horas da manhã
de 5 de Outubro de 1910 foi possível a dirigentes do Partido Republicano proclamarem
na varanda dos Paços do Concelho de Lisboa: “Unidos todos numa mesma aspiração ideal, o Povo, o Exército e a Armada
acabaram de proclamar a República em Portugal.”
Nos dias seguintes, de Lisboa para
todo o País, a proclamação seguiu pelo telégrafo: “A República é, no Estado, liberdade; na indústria, produção; no
trabalho, segurança; na nação, força e independência. Para todos, riqueza; para
todos, igualdade; para todos, luz."
Na véspera, antes mesmo da
proclamação, já “um bando de miúdos
andava pelas ruas de Lisboa, de bandeira em punho, a bandeira vermelha e verde da Revolução
feita em papel de seda, onde colara, em letras recortadas, um Viva a República”.
O poeta José Gomes Ferreira, um desses miúdos, tinha 10 anos em 1910, nascera
com o século.
Citação de José Gomes Ferreira in A Memória das Palavras, ou O Gosto de Falar de Mim, 1965
Citação de José Gomes Ferreira in A Memória das Palavras, ou O Gosto de Falar de Mim, 1965






