domingo, setembro 21, 2014

O Fado chegou à janela

O Fado, que é vizinho das pessoas em Alfama, chegou à janela, no Largo do Chafariz de Dentro, e fez-se ouvir. 
À mesma hora, do outro lado da Rua do Jardim do Tabaco, o pianista Júlio Resende surpreendia o auditório. 
E surpreendeu tanto que alguns saíram depressa da esplanada do Museu do Fado ao perceberem que aquele fado não era o que esperavam. Mas o fado do pianista Júlio Resende é admirável, sobretudo quando interage com a voz de Amália e principalmente no fado Medo (poema de Reinaldo Ferreira, música de Alain Oulman).
Na Igreja de Santo Estevão, junto ao cruzeiro do adro,
houve em tempos guitarradas... 


O pianista tocava com a torre da igreja de Santo Estevão pelas costas, na noite em que o Festival Alfama rendia tributo a Fernando Maurício, o Rei, onze anos após a sua morte. Fadistas populares cantaram em homenagem a Maurício enquanto o público pensaria na falta irreparável que Maurício faz ao fado. O Centro Cultural Dr. Magalhães Lima - local da homenagem - é um edifício magnífico, mas com tetos daquela altura não há voz nem guitarras que não se percam em ecos e reverberações.

Não se pode ver e ouvir tudo mas o segredo é escolher palcos pequenos e nomes selecionados. 
No palco grande, Jorge Fernando cantou como ele muito bem sabe, enquanto cantou fados; Carminho usou a sua voz magnífica num festival de trinados, gorgeios, requebros, voltinhas e floreados, estilando até à exaustão: dela própria e de parte do público.


A não esquecer: O Festival Alfama terminou mas o Fado continua, todos os dias e todas as noites em Alfama e outros bairros de Lisboa.
Fotos Joana Francisca, Texto João Francisco, 
Beco das Barrelas / D.R. 

sábado, setembro 20, 2014

O Fado ganhou uma fadista

Na Fonte do Poeta, Rua da Judiaria, em Alfama
 Lenita Gentil apresentou-se no Festival de Alfama, na noite de 19 de Setembro. E num Festival com algumas desilusões, bem se pode dizer que o Fado ganhou uma fadista. A veterana cantora, descoberta nos anos 50 pelo maestro Resende Dias, aderiu ao fado e a canção urbana de Lisboa ganhou uma voz que sabe cantar como poucas, como sabe ultrapassar e até tirar proveito dos seus limites. Quem a ouviu cantar fados do repertório de Lucília do Carmo, ou da autoria de Artur Ribeiro, Max, Arlindo Carvalho, ganhou a noite.

Lenita Gentil com o mestre Joel Pina
E diga-se que o Festival Alfama deu grandes oportunidades aos milhares de espectadores para perder a noite. 
A atuação de Ana Moura numa parceria com António Zambujo resultou numa frustração para quem queria ouvir a fadista. 
Alguém devia dizer ao guitarrista de Ana Moura, o talentoso Ângelo Freire, como lhe diria Alfredo Marceneiro, para não se «armar em saliente»: o fadista não pode ir atrás do guitarrista, numa correria para ver se consegue encaixar o poema do fado no acompanhamento. 
Ricardo Ribeiro perdeu uma excelente oportunidade para estar calado quando aproveitou o palco para dirigir referências acintosas a Camané – ausente este ano do programa. 
O horário e elenco dos palcos pequenos – onde reside o charme de Alfama e onde vai o público mais seletivo do Festival -, deviam respeitar a programação anunciada.

(continua para o segundo dia)
A não esquecer: Para além deste Festival, uma vez por ano, Alfama tem Fado todos os dias.
Fotos Joana Francisca, Texto João Francisco, 
Beco das Barrelas / D.R. 

domingo, setembro 14, 2014

O Tejo em Pessoa

Olho e Tejo, e de tal arte
Que me esquece olhando,
E súbito isto me bate
De encontro ao devaneando –
O que é ser rio, e correr?
O que é está-lo eu a ver?

Fernando Pessoa

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, 
mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia 
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia
Alberto Caeiro


Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
Ricardo Reis 

Outra vez te revejo - Lisboa e Tejo e tudo...
Álvaro de Campos 

Fotos Francisco João / Beco das Barrelas / D.R.

quarta-feira, setembro 10, 2014

Do cotovelo da Terra à pestana do Mundo...

FERNÃO MENTES? VOLTA À CENA
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33 anos após a estreia, a Companhia de Teatro A Barraca repõe a peça “Fernão Mentes?”, adaptação de Hélder Costa da “Peregrinação” de Fernão Mendes Pinto. Como então se dizia, “'Fernão Mendes Pinto somos nós'. Como agora ainda diz Hélder Costa, “Um pouco como nós todos, não é?”

Com uma nova montagem mas com o mesmo texto, baseado no monumento da literatura mundial que é a “Peregrinação”, “Fernão Mentes?” mantém a música original de José Afonso, Fausto Bordalo Dias e Orlando Costa que fez o grande espectáculo musical dos anos 80. Em cena mantêm-se dois dos actores do elenco de há 33 anos, Maria do Céu Guerra e João Maria Pinto.

Em cena no Cinearte, em Santos,
Quinta a sábado – 21h30, Domingo – 17h

Grande Final: Quando às vezes ponho diante dos olhos...

Quando às vezes ponho diante dos olhos
A lusitana viagem medonha que eu dobrei
Os tormentos passados e os fados que chorei
Arde o corpo em oração entre pecado e perdão
Agonia o coração e arde o corpo
Do cotovelo da terra á pestana do mundo
Fui treze vezes cativo dezassete vendido

(Fausto Bordalo Dias, Por este rio acima)

segunda-feira, setembro 08, 2014

Mobilidade em Lisboa

Passeios e conferências integram a Semana Europeia da Mobilidade em Lisboa, de 16 a 22 de Setembro, com atividades em toda a cidade que visam promover meios de transporte alternativos.
A iniciativa é da Comissão Europeia, sendo organizada na capital portuguesa pela Câmara de Lisboa.
O objetivo é promover alternativas de transportes “mais sustentáveis”, como é o caso dos transportes públicos, da bicicleta ou da caminhada, afirmou à Lusa o diretor municipal de Mobilidade e Tráfego da autarquia, Tiago Farias.
Segundo Tiago Farias, Lisboa “está no caminho certo” para inverter a situação de grande aumento da taxa de motorização, “mas ainda tem um longo percurso a percorrer para chegar ao objetivo de ser uma cidade sustentável”.
Falta sobretudo uma rede de transportes públicos de qualidade e uma mudança dos comportamentos dos munícipes, assinalou o responsável, referindo que é nesse sentido que é importante criar iniciativas como a Semana Europeia da Mobilidade.
Isto é, falta quase tudo mas há uma Semana da Mobilidade, com passeios pedonais e de bicicleta, conferências e atividades ao ar livre. A semana termina com o Dia Europeu Sem Carros, no dia 22, no qual os munícipes são desafiados a ir de bicicleta para o trabalho.
A iniciativa do Dia Europeu sem Carros começou a ser seguida em Portugal em Setembro de 2000. Nesse ano, às oito da noite do “Dia sem Carros”, as televisões exibiram ministros, autarcas, gestores e outras personalidades a circularem de metro, autocarro, carro elétrico, bicicleta, trotinete, de patins e mesmo a pé. No ano seguinte, já de patins calçados, o governo da época deixou cair a iniciativa à qual, aliás, os automobilistas já não achavam graça nenhuma. E, daí por diante, o “Dia sem Carros” passou a ser meramente simbólico. 

A mais antiga iniciativa de Lisboa sem carros data de 1686. D. Pedro II mandou gravar em pedra e implantar na Rua do Salvador, uma transversal entre a Rua das Escolas Gerais e a Rua de São Tomé, uma determinação para regular a circulação e as prioridades de coches, seges e liteiras, que geravam com frequência situações de confronto na zona. 
Será a mais antiga placa de sinalização de trânsito de Lisboa e ainda lá está: 
Anno de 1868: Sua Magestade ordena que os coches, seges e liteiras que vierem da Portaria do Salvador recuem para a mesma parte. 


quarta-feira, julho 30, 2014

Diz que é uma espécie de praia

Quando vi a "praia urbana" do Jardim do Torel, na antevéspera da inauguração, disse cá para mim que aquilo era apenas uma espécie de praia, um tanque com uma caixa de areia pela frente.
Depois lembrei-me que toda a vida vi miúdos sem praia desta Lisboa a refrescarem-se no Verão em tudo quanto são chafarizes da cidade, a molharem os pés em tudo quanto são fontes, a mergulharem de chapa nos tanques, a nadarem nos lagos.
E fiquei a pensar que afinal vai haver ali, no Jardim do Torel - já de si tão belo, fresco, deslumbrante de vistas -, uma praia em Lisboa para miúdos sem praia.
Bem vindos à praia urbana. Vai haver mais, para além do Torel.

Leia a notícia aqui: Ou aqui

Foto Francisco, texto João, Beco das Barrelas / D.R.

sábado, julho 26, 2014

A voar por cima das águas...


Agora que tantos lisboetas andam de nariz no ar por causa dos aviões – e em certos casos da falta deles - recordamos que Lisboa teve em tempos dois aeroportos (2), construídos em simultâneo no final dos anos 30 do século passado: o nosso conhecido Aeroporto da Portela e o Aeroporto Marítimo de Cabo Ruivo, destinado aos hidroaviões transatlânticos.
A ideia era a complementaridade. Lisboa, cidade mais ocidental da Europa, receberia os voos transatlânticos do continente americano e distribuiria depois, a partir da Portela - a 3 km de Cabo Ruivo -, o tráfego para a Europa.
Há quem conte que tudo nasceu de um encontro em Novembro de 1933, entre Charles Lindbergh e o almirante Gago Coutinho, os conquistadores das travessias do Atlântico Norte e Sul, e que a Pan American Airways esteve na origem do empreendimento.
O primeiro voo para o Aeroporto Marítimo de Cabo Ruivo aconteceu em 29 de Junho de 1939; os voos comerciais dos hidroaviões foram desativados após a II Guerra Mundial.
Fascinante é que há imagens PARA VER AQUI dessa fantástica coabitação entre hidroaviões e canoas do Tejo. 
Agora imaginem quantos romances de espionagem, de acção e de amor poderão ter embarcado e desembarcado em Cabo Ruivo. Será que os passageiros do voo de Casablanca, em 1941, desembarcaram em Lisboa e depois seguiram para a América de hidroavião a partir de Cabo Ruivo? Mas esses, se perdessem a ligação, teriam sempre Paris... 

quarta-feira, julho 23, 2014

Arte urbana para levar para casa

A Zest – Books for Life vai lançar no último dia deste mês um álbum fotográfico de Street Art da cidade de Lisboa.
São no essencial pinturas urbanas de 2012 e 2013, num total de 188 murais, reunindo trabalhos de notáveis artistas nacionais e internacionais, de dimensões mínimas e de vasta escala, criadas por diversas gerações de autores, com técnicas e discursos totalmente distintos.
O lançamento está marcado para o dia 31, na LX Factory (Livraria Ler Devagar) –, às 18h 30, com pintura ao vivo por Vanessa Teodoro.
O Beco das Barrelas tem todo o gosto em antecipar a publicação de uma das mais sugestivas pinturas reunidas no volume de Street Art da cidade de Lisboa, da autoria do artista Alexandre Farto Vhils.
O volume inclui o mapa com a localização das 188 pinturas urbanas recenseadas: 
a pintura de  Alexandre Farto Vhils  encontra-se na Travessa das Merceeiras, na antiga freguesia da Sé. 

domingo, julho 13, 2014

Ar livre

Esplanada do Torel
Lisboa, a cidade das belas vistas, tem espaços abertos e esplanadas para viver o lazer ao ar livre.
Toda a cidade convida a estar-se bem, à sombra, gozando a vista, o sol, a sombra, o ar livre. Vistas panorâmicas e pequenos ambientes mais exclusivos, em Lisboa há sempre  ar livre .

Martim Moniz

Está-se bem em Lisboa, ao ar livre. 
É só escolher:

- Ribeira das Naus
- Praça do Comércio
- Padrão dos Descobrimentos
- Docas de Santo Amaro
- Quiosque da Av. da Liberdade
Linha d'Água

- Miradouro de S. Pedro de Alcântara
- Esplanada do Torel
- Esplanada da Graça
- Portas do Sol
- Jardim do Tabaco
- Pátio do Siza
- Praça do Município
- Brasileira e Benard 
- Miradouro de Santa Catarina
Brasileira
- Príncipe Real
- Quiosque do Camões
- Largo do Carmo
- Linha d´Água, Parque Eduardo VII
- Café Lisboa, Largo de São Carlos
- Café no Chiado
- Café Nicola, Rossio
- Pastelaria Suíça, Rossio
Benard
- Rua Nova do Carvalho
- Quiosque da Praça D. Luís
- Cais do Gás, Cais do Sodré
- Mercado da Ribeira
- O das Joanas, Intendente
- Centro Cultural de Belém
- Esplanadas da Alameda dos Oceanos
- etc., etc., etc.
Fotos Beco das Barrelas / D.R. 

sexta-feira, julho 11, 2014

Nova Santa Engrácia na Ribeira das Naus


Foram as infindáveis obras do Metro na Praça do Comércio – com parte da cidade a afundar-se -, as obras infindáveis na própria Praça, as obras no Ministério das Finanças, as obras infindáveis da requalificação da Zona Ribeirinha – no dia da conclusão da primeira fase foi anunciado o arranque da segunda fase -, foi o desvio do trânsito da Ribeira das Naus para a Rua do Arsenal e Bernardino Costa, mais as obras na estátua do próprio D. José e as obras no Arco da Rua Augusta, foi o avanço sobre o rio com criação de um espaço verde e de uma pequena praia…

A zona da Praça do Comércio e respectivas redondezas está em obras há perto de duas décadas. Só a ligação do Metro da Baixa-Chiado a Santa Apolónia – inaugurada em 19 de Dezembro de 2007, pelos sucessivos atrasos na Praça do Comércio -, demorou 11 anos. Foi agora anunciado que o trânsito na Avenida Ribeira das Naus, cortado em Abril, será retomado em Setembro mas com muitas restrições. As obras não acabaram…

Corta o trânsito, desvia o trânsito, interrompe o trânsito, condiciona o trânsito, engarrafa o trânsito… Talvez no final de tudo isto – a haver um final – a Cidade e os lisboetas ganhem com tanta obra, tanta interrupção, tanta demora e tanto atraso. Mas que Lisboa e os lisboetas penaram, lá isso penaram!

Um inquérito da agência Lusa no local, publicado nos jornais, revela que os comerciantes e residentes na zona estão divididos: uns criticam o caos no trânsito na Ribeira das Naus; mas outros acreditam que no final vai ser bom para o turismo.
Texto e fotos Beco das Barrelas / D.R. 

terça-feira, julho 08, 2014

Há Festa no Intendente

Duas ruas correndo paralelas à Avenida Almirante Reis, a dos Anjos, a norte do Largo, a do Benformoso, para sul, duas travessas transversais, a do Cidadão João Gonçalves, a poente, a do Maldonado, a nascente, e aqui vai o Intendente, bairro em festa até 27 de Julho. Às sextas, sábados e domingos, agora é no Largo do Intendente.


Já houve Conexão Lusófona, com António Zambujo, Lura, Paulo de Carvalho, Couple Coffee, Calema, Patche di Rima, Projeto Kaya, Laloran Tasi Timor. Seguem-se os Dead Combo. Mais lá para diante apresenta-se a Orquestra Libertina de Lisboa.
O Intendente é hoje um bairro, entre Arroios e a Mouraria, com vida própria, comércio multicultural – da Loja da Viúva Lamego à mercearia indiana, do vestuário africano à Loja dos Cahpéus -, vida associativa – do Intendarte ao Sport Clube Intendente -, cultura e lazer, restauração – Cova Funda e Oh Nesta Mente - e bares: Bar Securas, Bar Ferro Velho, Josephine Bistrô, Cantinho do Benformoso, Horiginal, Catch Up, Bar Palma, Bar Sarriá, Bar Tominho.
 
Quanto ao programa das festas no Largo do Intendente é como se segue:
11 julho (22h00) Dead Combo
12 julho (23h00) Valete, Halloween
18 julho (22h00) Mandela Day com Carlos Barretto, In Loko Band e convidados Selma Uamusse, Melo D e General D
19 julho (22h00) Orquestra Libertina de Lisboa e convidados JP Simões e Susana Travassos
25 julho (22h00) O Barbeiro do Intendente com Ana Sofia Varela, Anita Guerreiro, Carla Galvão, José Miguel Vitorino, Manuel João Vieira e Tânia Alves

26 julho (22h00) Uma Noite de Verão da Amor Fúria com Asterisco Cardinal Bomba Caveira, Capitães da Areia, Manuel Fúria e os Náufragos, Pedro Lucas.

Texto João Francisco
fotos da Joana Francisca / D. R. 

sexta-feira, julho 04, 2014

Um homem na cidade, no País e no Mundo

Agarro a madrugada
como se fosse uma criança,
uma roseira entrelaçada,
uma videira de esperança.
Tal qual o corpo da cidade
que manhã cedo ensaia a dança
de quem, por força da vontade,
de trabalhar nunca se cansa.
Vou pela rua desta lua
que no meu Tejo acende o cio,
vou por Lisboa, maré nua
que desagua no Rossio.
Eu sou o homem da cidade
que manhã cedo acorda e canta,
e, por amar a liberdade,
com a cidade se levanta.

Vou pela estrada deslumbrada
da lua cheia de Lisboa
até que a lua apaixonada
cresce na vela da canoa.
Sou a gaivota que derrota
tudo o mau tempo no mar alto.
Eu sou o homem que transporta
a maré povo em sobressalto.


E quando agarro a madrugada,
colho a manhã como uma flor
à beira mágoa desfolhada,
um malmequer azul na cor,
o malmequer da liberdade
que bem me quer como ninguém,
o malmequer desta cidade
que me quer bem, que me quer bem.

Nas minhas mãos a madrugada
abriu a flor de Abril também,
a flor sem medo perfumada
com o aroma que o mar tem,
flor de Lisboa bem amada

que mal me quis, que me quer bem!

Poema de José Carlos Ary dos Santos
Música de José Luís Tinoco
Álbum - Um Homem na Cidade

4 de Julho, 17 horas, homenagem a Carlos do Carmo na CML

quinta-feira, julho 03, 2014

Dois anos a blogar por Lisboa

O blogue Beco das Barrelas completou dois anos de publicação. Nascemos em Julho de 2012, na sequência de um passeio por Alfama.

«E se fizéssemos um blogue?» perguntámos a nós próprios, contemplando a série magnífica de vistas que tínhamos recolhido no bairro.

Fizemos um blogue ao qual decidimos chamar Beco das Barrelas, um dos recantos que visitámos naquele dia de Julho, com mais sol e mais calor que este ano.

De então para cá publicámos 326 mensagens, para as quais recebemos mais de 55 mil visualizações e centena e meia de comentários.

Fomos visitados em 52 países de cinco continentes. Os países com mais visitantes foram, por esta ordem: Portugal, Estados Unidos, Brasil, Rússia, Alemanha, França, Espanha, Reino Unido, China e Canadá. Também fomos visitados em Angola, Moçambique, Macau e Timor-Leste. Mas também na Dinamarca, Suécia e Noruega, no México, Panamá, Colômbia, Venezuela, Chile e Argentina, na Tunísia e Suazilândia, em Israel e nos Emirados Árabes Unidos, em Singapura, Paquistão, Índia, Coreia do Sul, Indonésia, Malásia e Japão. E na Austrália.

As mensagens com maior número de visitas foram, por esta ordem, as seguintes:

Burras assadas é no Beco dos Surradores

O Outono do general 

Blimunda encontra Gabriela… em Lisboa

Histórias que os filmes contaram sobre Lisboa

A primeira greve em Portugal foi em Lisboa em 1849...

Há 25 anos ardeu o coração de Lisboa - Fotos de Luís Manuel Vasconcelos

Os navegadores mais utilizados pelos visitantes para visualização do Beco das Barrelas foram: Internet Explorer, Chrome, Firefox e Safari. Os sistemas operativos mais correntes: Windows, Macintosh, Linux, iPad, iPhone, Android.

Ao completar dois anos, prometemos continuar a amar Lisboa e a blogar. Visitem-nos. 

quarta-feira, julho 02, 2014

SOPHIA E LISBOA

Digo:
"Lisboa"
Quando atravesso - vinda do sul - o rio
E a cidade a que chego abre-se como se do meu nome nascesse
Abre-se e ergue-se em sua extensão nocturna
Em seu longo luzir de azul e rio
Em seu corpo amontoado de colinas -
Vejo-a melhor porque a digo
Tudo se mostra melhor porque digo
Tudo mostra melhor o seu estar e a sua carência
Porque digo
Lisboa com seu nome de ser e de não-ser
Com seus meandros de espanto insónia e lata
E seu secreto rebrilhar de coisa de teatro
Seu conivente sorrir de intriga e máscara
Enquanto o largo mar a Ocidente se dilata
Lisboa oscilando como uma grande barca
Lisboa cruelmente construída ao longo da sua própria ausência
Digo o nome da cidade
- Digo para ver

Sophia de Mello Breyner Andresen
Fotos Beco das Barrelas / D.R. 


BECO DAS BARRELAS: 
DOIS ANOS NA BLOGOSFERA

Segunda-feira, 2 de Julho de 2012

Olá, cá estamos nós. 

Este é um blogue para quem ama Lisboa.

Vamos encontrar-nos. Aqui. 
Até já!



terça-feira, junho 17, 2014

Mas o Tejo é sempre novo...


No dia 16 de Junho, pelas duas da tarde, quando o Sol ardia em Lisboa, embora não tanto como na véspera, mas mais que no dia seguinte, uma cortina de neblina descia sobre o Tejo toldando o horizonte e remetendo a paisagem mais longe para os domínios do encoberto. 
Talvez fosse simplesmente o augúrio dos dias mais frios e molhados que agora se anunciam; talvez fosse apenas pelo facto de o Tejo ser, com efeito, sempre novo, todos os dias e a todas as horas diferente. 

Texto João Francisco
Foto de Joana Francisca
Beco das Barrelas / D.R. 

segunda-feira, junho 16, 2014

Sai um prato de gastrópodes para a mesa do canto

Os caracóis – cochleolus como lhe chamavam os latinos - são gastrópodes da subordem dos stylommatophora que têm, entre outras, a grande virtude de não fugirem nem darem o alarme. Num livro recente, o escritor chileno Luís Sepúlveda diz mesmo que os caracóis, «para que lentidão e o silêncio não os assustassem, preferiam nem falar disso e aceitavam ser como eram com uma lenta e silenciosa resignação».

De maneira que, pelo facto de transportarem não a casa, como se diz erradamente, mas o esqueleto às costas, se torna possível capturar uma imensa quantidade destes moluscos, cozinhá-los e servi-los à mesa na época respectiva, o Verão.
O caracol é um herbívoro que, antes do tacho, passa por uma dieta de vinho branco e ervas aromáticas, o que o transforma num pitéu apropriado para acompanhar cerveja gelada, a bebida mais eficaz no combate ao calor e à sede estivais, ou vinho branco.
Os franceses cozinham as caracoletas, às quais chamam escargots à bourguignone, mas em Portugal os mais procurados são os caracóis miúdos, os caracóis caracolitos, cozinhados longamente no tacho com azeite, alho, cebola, louro, orégãos, temperados após a cozedura com sal e pimenta. As ervas e temperos em excesso – ou desapropriados, como os caldos de carne – apenas acrescentam mais sal e disfarçam o sabor verdadeiro do pequeno molusco. 

O caracol come-se no sul de Portugal e no norte de África. É um petisco simples e despretensioso que puxa pela bebida e ambos puxam pelo convívio.

Às portas de Lisboa, Loures organiza regularmente a feira do caracol saloio. Em Lisboa, o caracol é petisco comum nos dias de Verão e tem algumas casas especializadas como sejam: Júlio dos Caracóis, uma grande superfície do caracol, em Chelas, Grã Via, no Campo Grande, Adega do Rossio, na Rua 1º de Dezembro, A Tabuense, na Avenida do Brasil, A Palmeira, na Rua do Crucifixo. 
Se tem outras sugestões, deixe-as aqui, clicando ao fundo em sem comentários


Mais comidinhas aqui:

O Mercado senta-se à mesa