sexta-feira, agosto 31, 2018

EDIFICIO DN VIRA HOSPEDARIA

Paulo Navarro
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A propósito da notícia da reformulação do emblemático edifício do DN no coração de Lisboa num hotel ou conjunto de apartamentos de luxo e depois de ver quase todos os símbolos da cidade comprometidos pelo arrastão imparável do turismo, relembro as palavras do Presidente Medina antes de ser eleito "devolver Lisboa aos lisboetas". 


As necessidade turísticas de uma cidade cujo grande encanto é por enquanto ser uma verdadeira pechincha para turistas espanhóis, franceses, alemães e holandeses, sobreposeram-se às necessidades dos lisboetas, muitos deles afastados à força para as periferias da cidade onde se vive verdadeiramente mal, no meio do betão, sem transportes dignos, com escolas a precisar de remodelação. Lisboa está a tornar-se a ilha paradisíaca rodeada pelos famintos dos subúrbios e tudo isto com um executivo socialista suportado pelo bloco de esquerda. Na verdade os Lisboetas já se foram habituando ao longo dos anos da grande vaga especulativa a irem ficando sem as suas coisas e sem as suas pessoas a troco de obras monumentais de mau gosto e utilidade duvidosa. Os exemplos são mais que muitos, da feira popular ao parque mayer, passando pela requalificação do chiado que ardeu ainda não se sabe como, ao encerramento das históricas salas de cinema, teatros, cafés e clubes e sempre com o pretexto de que não há dinheiro para se manterem as coisas e com o falso argumento da rentabilidade. Ou seja, o que não é rentável não pode existir e substitui-se por algo que o seja a troco de cargos de direção, cargos de secretariado e assessoria, gente bem paga para gerir e tornar rentável o que não é nem nunca irá ser. Há uns meses quando tive oportunidade de visitar Paris percebi que para além da rentabilidade ou não rentabilidade há coisas intocáveis na cultura da cidade que não se mudam por não serem rentáveis. A cidade é um museu aberto, com uma arquitectura extraordinária e extraordinariamente preservada e onde os jovens até aos dezoito anos não pagam um cêntimo para entrar num museu. E se Paris é uma das cidades mais turísticas do mundo não se nota o desenfreio ganancioso de quem está à frente dos negócios, dos empreendedores e porquê? Porque em Paris mandam os Parisienses e não se abrem excepções para se transformarem os milhares de belíssimos prédios em dormitórios para turistas tornando a cidade insuportável. O que se vê em Lisboa e no Porto é o saque da cidade para o lobby da especulação imobiliária com o pretexto da expansão do turismo e para os altos benefícios que isso vai trazer ao país a longo prazo. São incontáveis os ex libris da cidade que já morreram às mãos deste executivo camarário, as negociatas obscuras com lojas devolutas na baixa da cidade, o êxodo e a pura expulsão para os ghettos das pessoas mais idosas, para além do estado de degradação a que chegaram algumas das zonas mais pobres da cidade depois do investimento de milhões em obras nas zonas mais ricas. O que é que vai desaparecer a seguir em Lisboa não sei, quanto ao edifício do DN onde se poderia erguer um museu da Imprensa ou jornalismo ou até uma escola, sei que ficará intacto como o efeito das antigas bombas de neutrões que matavam os pessoas mas mantinham os bens e as paredes intactas. Vendido a quem e por que preço também não interessa divulgar pois quanto menos nos habituarmos a saber e a questionar melhor. Um dia destes vendem os Jerónimos (não interessa a quem), ou o Parque de Monsanto, ou até o Tejo e a Praça do Comércio, queremos nós lá saber disso para alguma coisa. Venham os turistas, os tuck tuck, venha a especulação imobiliária, venham os restaurantes italianos, nepaleses ou mexicanos substituir a melhor gastronomia do mundo, acabem com o peixe fresco e com os legumes, dêem a cota de pesca aos espanhóis porque não vamos precisar de pesca para nada. Vendam tudo, a cp, a carris, o pouco que resta em nome da expansão do turismo, vendam tudo a empreendedores prontos a pagar ordenados mínimos para manter o spot turístico interessante e por último quando não tiverem mais nada para vender ou para transformar em hotel, hostel, aparthotel, turismo rural, vendam também os portugueses, ou os poucos que restarem neste país.

quinta-feira, abril 20, 2017

Engraxo na Baixa


O engraxador engraxa na Baixa! E os "camones" fotografam e desenham esta raridade portuguesa, esta precariedade, esta por caridade.
Do outro lado dos Restauradores - em frente do Éden que também já fechou - engraxava o Belarmino, Belarmino Fragoso, campeão com jeito que a vida levou ao tapete. 
E o poeta O'Neill também faz por cá muita falta.
"O senhor engenheiro hoje não engraxa? Engraxo na Baixa".
Foto Teresa Rouxinol


sábado, fevereiro 18, 2017

O Tejo é mais belo


O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, //
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia //
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.
O Tejo tem grande navios // E navega nele ainda,//
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,//
A memória das naus.
Alberto Caeiro - O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
in O Guardador de Rebanhos

 Foto Beco das Barrelas

terça-feira, fevereiro 14, 2017

14 de Fevereiro: Namorados de Lisboa

Dançar ao som e ritmo do coração no coreto do Jardim da Estrela
Foto Beco das Barrelas

A audácia dos panos das velas...


Ter a audácia ao vento dos panos das velas!
Ser, como as gáveas altas, o assobio dos ventos!
A velha guitarra do Fado dos mares cheios de perigos,
Canção para os navegadores ouvirem e não repetirem! 

Álvaro de Campos, Ode Marítima
Foto Beco das Barrelas 

segunda-feira, fevereiro 13, 2017

Sim, tu és um barco... e outro barco



Torre de Belém (...) Quase flutuas, sim, tu és um barco. // E, á ponte de comando, // 
eu sinto-me um rei súbito cismando// no branco dos velames,
// na solidão das quilhas e dos mastros (..)

João Rui de Sousa, Lisboa com seus poetas

E outro barco
Fotos Beco das Barrelas 

sexta-feira, fevereiro 10, 2017

Foz do Tejo, um País


É uma nação única de memórias do mar, // que não responde senão em nós.
// Glórias, misérias, // que guardámos por detrás do olhar lírico
// e da língua, a silabar dentro da boca. //
Nunca chamámos o mar nem ele nos chama //
mas está-nos no palato como estigma.

Fiama Hasse Pais Brandão - Foz do Tejo, um País
Foto Beco das Barrelas 

quinta-feira, fevereiro 02, 2017

As paredes da Mouraria ganharam vida

Isabel e António 

Senhor Carlos e Dom Quixote
Camilla Watson engraçou com Lisboa há dez anos, quando por aqui passou, vinda de Inglaterra, em escala de uma viagem mais longa. Na volta, foi ficando, aprendendo português. 
Depois descobriu a Mouraria e isso já foi um caso de amor à primeira vista.
Camilla reside e tem ateliê de fotografia no Largo dos Trigueiros, na Mouraria, e a companhia do cão Dom Quixote.  
Dona Ezilda
E os rostos das pessoas de idade da Mouraria passaram a dar vida às paredes do bairro. 

As fotos são um tributo de Camilla Watson 
aos residentes de mais idade.
 E os moradores reconhecem-se, impressos nas paredes da Mouraria.

 Fotos Beco das Barrelas

quinta-feira, janeiro 26, 2017

Movimento reclama contra valores do arrendamento em Lisboa


T2 240 mil euros 
T3 300 mil
preços por metro quadrado na compra

Cidadãos e organizações — entre as quais a Associação dos Inquilinos Lisbonenses, a Associação de Moradores do Bairro Alto e a Associação do Património e da População de Alfama — endereçaram uma carta aberta ao Governo a reclamar “a adoção urgente de uma política nacional e municipal de habitação, que favoreça e dinamize o arrendamento, público e privado, com direitos e deveres, com segurança e estabilidade”.
O movimento, que se designa “Morar em Lisboa”, quer acabar com a “drástica subida dos valores do arrendamento de habitação”, que a cidade de Lisboa viveu nos últimos anos e que “levou à expulsão de população das áreas mais centrais da cidade”, tornando “o acesso à habitação em Lisboa um privilégio de poucos e um direito praticamente inacessível às famílias portuguesas”.
A carta aberta pode ser assinada aqui:

O preço médio por metro quadrado na cidade de Lisboa era de 3404 euros, no final do ano de 2016, de acordo com dados facultados pela Confidencial Imobiliário e citados pelo DN/Dinheiro Vivo.
Um T2 não se comprava por menos de 240 mil euros e um T3 subia até aos 300 mil.
A freguesia de Santo António, que abrange a Avenida da Liberdade e o Príncipe Real, é a mais cara de Lisboa, com o metro quadrado a 5254 euros. O preço por metro quadrado em Santa Maria Maior, Avenidas Novas e freguesia da Misericórdia anda pelos 4000 euros.
A zona com os preços menos elevados é Santa Clara, na área das antigas freguesias da Charneca e Ameixoeira. Os valores atingem os 1531 euros por metro quadrado. Em Marvila e Beato rondam os 2000 euros por metro quadrado.
Nos arredores, em Cascais, o valor no final do ano passado era de 2293 euros por metro quadrado e, em Oeiras, de 1865 euros. Em Sintra pagava-se 1219 euros por metro quadrado.

Na margem sul do Tejo, no Barreiro, o preço médio por metro quadrado rondava os 884 euros, o equivalente a quase quatro vezes menos do que em Lisboa, e no Montijo os 879 euros.
Fotos Beco das Barrelas 

Os dias contados das Lojas com História


A centenária Paris em Lisboa, na esquina da Rua Garret com a Rua Serpa Pinto, tem "os dias contados", segundo reconhece o proprietário em declarações ao jornal Público
Será a 121ª das 300 "Lojas com História" a fechar as portas em Lisboa, segundo dados da União das Associações de Comércio e Serviços, citada pelo DN
A procura é grande, as propostas são "irrecusáveis" e por cada loja com mais ou menos história que fecha abre mais um condomínio de luxo ou um novo hotel. 
A CML diz que espera legislação do Parlamento. 
Foto Beco das Barrelas 

sexta-feira, janeiro 06, 2017

"Loja com História" em edifício de "interesse público" afinal fará parte de condomínio de luxo onde T4 custa mais de três milhões de euros

Largo do Calhariz, 4, Lisboa

Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas...
Álvaro de Campos, Tabacaria

quinta-feira, janeiro 05, 2017

"Se houver uma repetição do sismo de 1755, um terço de Lisboa fica em escombros"

O vice-presidente do Instituto de Engenharia de Estruturas, Território e Construção do Instituto Superior Técnico,
declarou perante os deputados da Assembleia Municipal de Lisboa que "se houver uma repetição do sismo de 1755, um terço de Lisboa fica em escombros".
Especialmente porque a reabilitação urbana na cidade está a ser "um 'peeling' aos edifícios" [uma mera intervenção estética]. "Melhoram-se as condições de habitabilidade e o aspecto dos prédios e pronto", considerou, afirmando que fica de fora o reforço do edificado.
O especialista, Mário Lopes, defendeu também que "a legislação actual como está vale zero" quanto à obrigatoriedade de adequação sísmica das construções, pelo que é "urgente promover nova regulamentação".
Assim, "é necessário fazer o reforço dos edifícios", uma vez que "60% dos edifícios em Lisboa não foram feitos para resistir a sismos", alertou.
"Estamos em cima de um barril de pólvora com o rastilho a arder e não sabemos quando vai rebentar", acrescentou Mário Lopes perante os deputados municipais, criticando o facto de muitos prédios na baixa de Lisboa terem pilares cortados no piso térreo.
texto dos jornais de 5 de Janeiro de 2017
 Fotos Francisco / Beco das Barrelas