sábado, agosto 25, 2012

Quando Lisboa chorou pelo Chiado


Naquela manhã de 25 de Agosto de 1988 não foi o fumo que nos encheu os olhos de lágrimas. Foi a dor de ver o coração de Lisboa a arder. Já lá vão 24 anos, parece que foi ontem.
"Tudo se passa depressa. Lisboa está a arder. O Francês segue o avanço do incêndio desde esta manhã. Estava a dormir na sua pensão, à Rua do Ouro. Um fragor lá fora, puxou as cortinas. Estando a meio do Verão, já devia ser dia, em vez deste nevoeiro cinza, quase azul, do dia 25 de Agosto de 1988. Através da cinza azulada, do outro lado da rua, atrás dos Grandes Armazéns Grandella, vislumbra outras cores: vermelho e amarelo. As cores sobem pelos andares acima a toda a velocidade, um velho armazém, cheio de madeirame e reservas de tecido, é coisa rápida". Assim começa L'Incendie du Chiado, do francês François Vallejo, romance de um dia de dor e de lágrimas em Lisboa, já traduzido e editado em Portugal.
Mas o Chiado e Lisboa recuperaram. Mais: o Chiado é hoje mais importante na vida da cidade do que era há 24 anos. O Chiado renasceu das cinzas. A reconstrução deu-lhe vida nova.

Texto de João Francisco. Foto de Francisco João (direitos reservados)

1 comentário:

  1. Eu era jornalista, fui acordado pelo meu chefe de redação no jornal O Diário, o Luís de Barros, cheguei às imediações do Chiado no mais curto espaço de tempo possível, e não me esqueço do que vi: o centro de Lisboa a arder, com chamas altas que se elevavam dos armazéns do Chiado e do Grandella e pegavam já às ruas do Carmo e Nova do Almada. Tudo ardia com a rapidez de um fósforo e os Bombeiros estavam longe do coração das chamas impedidos por uma aberração urbanística: os transpolins de pedra que cortavam o trânsito na Rua do Carmo. Depois começaram as explosões e as chamas lamberam prédios na Rua Garrett e na Calçada do Sacramento. Vi muita gente a chorar pela dor que dava ver Lisboa a sofrer. Depois vi o Chiado renascer, com muita polémica, como há sempre. E gosto de ver o Chiado recuperado e cheio de vida. Amo Lisboa e sinto-me muito bem a navegar neste blogue. JPG

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