quinta-feira, setembro 25, 2014

Consideremos o jardim…

Jardim Amália


Lisboa respira e o sistema respiratório de Lisboa dispõe de cerca de 80 jardins, 15 parques, três matas, seis praças, quatro campos, duas quintas e duas tapadas. Os espaços verdes preservam o ar, têm funções lúdicas e recreativas, são espaços de passeio e de namoro.


Jardim do Torel


«Fui ontem visitar o jardinzinho agreste, // Aonde tanta vez a lua nos beijou, // E em tudo vi sorrir o amor que tu me deste…», rima Cesário Verde.


«Alguém diz: 
// Aqui antigamente houve roseiras…», 
escreve Sophia de Mello Breyner. 
«Olha, ainda há flores…», 
observa José Gomes Ferreira.


Jardim da Estrela
Nos jardins de Lisboa também se passeia a solidão: 
«Num banco de jardim uma velhinha…», Carlos do Carmo na letra 
de Ary dos Santos.

«Consideremos o jardim, mundo de pequenas coisas,
calhaus, pétalas, folhas, dedos, línguas, sementes.
(…) É aqui, é aqui que se renova a luz.»

António Ramos Rosa, Volante Verde

quarta-feira, setembro 24, 2014

Lisboa quer plantar uma árvore por cada criança que nasça na cidade

A Bela-Sombra, do Largo do Limoeiro
A plantação de uma árvore por cada criança que nasça em Lisboa é uma das 212 propostas que a partir de agora estão à votação dos munícipes no âmbito do Orçamento Participativo de Lisboa. 

São 212 os projetos selecionados, de um total de 669 apresentados, e a Câmara tem uma verba de 2,5 milhões de euros para dar andamento às ideias mais votadas. A votação do Orçamento Participativo começa esta semana e vai até 6 de Novembro.
A instalação de postos de rádio que transmitam música e notícias pela cidade; requalificação de praças, ruas e espaços verdes; áreas de serviço destinadas a roulotes; autocarros de bairro; parques para carrinhos de bebés;
construção de um painel com grafiti para evocar o antigo Casal Ventoso; são alguns dos projetos em votação. O Parque das Nações é a zona da cidade com mais projetos a votação; a freguesia da Misericórdia - que integra as antigas freguesias da Encarnação, Mercês, Santa Catarina e São Paulo - não tem qualquer projeto. 

Informe-se e participe aqui

terça-feira, setembro 23, 2014

Chove no betão



Consta que já estão em curso estudos e análises para fazer o elenco das causas mais um dia de cheias em consequência de chuvadas intensas. Como este blogue tem um carácter eminentemente construtivo e visa contribuir, embora modestamente, para que lisboetas mais distraídos, sejam eles governantes, autarcas, gestores ou cidadãos anónimos, abram um pouco mais os olhos, deixamos uma pequena sugestão para a análise em questão e em que estamos. Se se quer de facto saber o que se passou, perguntem ao professor arquiteto Gonçalo Ribeiro Teles que anda há décadas a falar com toda a propriedade sobre o assunto.
Bem sabemos que as ideias de Gonçalo Ribeiro Teles não estão lá muito na moda, nestes tempos de cimento armado. O arquiteto fala de «ilhas de verdura» numa cidade refém do betão; fala de «hortas e quintais», numa cidade impermeabilizada com argamassa que substituiu quase todos os logradouros por espaços de estacionamento, caves, arrecadações, casas de máquinas e oficinas; fala em «trazer o campo à cidade» para uma sociedade de frequentadores compulsivos de centros comerciais; e fala em «circulação da água», numa cidade que põe cimento em cima de cada centímetro quadrado rimando urbanização com especulação e ambas com betão.

De maneira que quem não queira ouvir e ter em conta ideias, experiências e argumentos como os do arquiteto Gonçalo Ribeiro Teles não venha dizer que quer entender o que se passa em Lisboa de cada vez que chove um pouco mais. Sim, porque o que se passou já se tinha passado anteriormente e voltará a passar-se. Ribeiro Teles é que sabe.

Texto e foto Beco das Barrelas / D.R. 

segunda-feira, setembro 22, 2014

Lisboa na rota dos cruzeiros

Com lotação esgotada - 2.550 passageiros e mais de mil tripulantes – o navio Poesia, uma das 13 unidades da companhia MCS, largou de Lisboa – terminal de Santa Apolónia - na noite de sexta-feira para um cruzeiro pelo mediterrâneo: Lisboa | Barcelona | Marselha | Génova | Málaga | Casablanca | Lisboa.
Com mais de 293 metros de comprimento, de 32 de largura e de 59 metros de altura, o navio Poesia desloca mais de 92 mil toneladas, carregadas de luxo e requinte – mais de 1.200 camarotes e suítes, 16 decks, jardim ZEN, SPA, restaurantes e bares, cinema ao ar livre, piscinas, parque aquático - a uma velocidade média de 20 nós (37 km/h).

Um cruzeiro chamado Poesia
O navio voltará ao Tejo e partirá para novos cruzeiros com o mesmo destino ainda em Setembro e em Outubro.

Um luxo. Para quem possa e queira. 
E a verdade é que Lisboa está na moda das rotas dos cruzeiros. No mês passado registaram-se 52 escalas de navios de cruzeiro no porto de Lisboa, com um total de cerca de 82 mil passageiros desembarcados.

Fotos Joana Francisca, Texto João Francisco, 
Beco das Barrelas / D.R. 

domingo, setembro 21, 2014

O Fado chegou à janela

O Fado, que é vizinho das pessoas em Alfama, chegou à janela, no Largo do Chafariz de Dentro, e fez-se ouvir. 
À mesma hora, do outro lado da Rua do Jardim do Tabaco, o pianista Júlio Resende surpreendia o auditório. 
E surpreendeu tanto que alguns saíram depressa da esplanada do Museu do Fado ao perceberem que aquele fado não era o que esperavam. Mas o fado do pianista Júlio Resende é admirável, sobretudo quando interage com a voz de Amália e principalmente no fado Medo (poema de Reinaldo Ferreira, música de Alain Oulman).
Na Igreja de Santo Estevão, junto ao cruzeiro do adro,
houve em tempos guitarradas... 


O pianista tocava com a torre da igreja de Santo Estevão pelas costas, na noite em que o Festival Alfama rendia tributo a Fernando Maurício, o Rei, onze anos após a sua morte. Fadistas populares cantaram em homenagem a Maurício enquanto o público pensaria na falta irreparável que Maurício faz ao fado. O Centro Cultural Dr. Magalhães Lima - local da homenagem - é um edifício magnífico, mas com tetos daquela altura não há voz nem guitarras que não se percam em ecos e reverberações.

Não se pode ver e ouvir tudo mas o segredo é escolher palcos pequenos e nomes selecionados. 
No palco grande, Jorge Fernando cantou como ele muito bem sabe, enquanto cantou fados; Carminho usou a sua voz magnífica num festival de trinados, gorgeios, requebros, voltinhas e floreados, estilando até à exaustão: dela própria e de parte do público.


A não esquecer: O Festival Alfama terminou mas o Fado continua, todos os dias e todas as noites em Alfama e outros bairros de Lisboa.
Fotos Joana Francisca, Texto João Francisco, 
Beco das Barrelas / D.R. 

sábado, setembro 20, 2014

O Fado ganhou uma fadista

Na Fonte do Poeta, Rua da Judiaria, em Alfama
 Lenita Gentil apresentou-se no Festival de Alfama, na noite de 19 de Setembro. E num Festival com algumas desilusões, bem se pode dizer que o Fado ganhou uma fadista. A veterana cantora, descoberta nos anos 50 pelo maestro Resende Dias, aderiu ao fado e a canção urbana de Lisboa ganhou uma voz que sabe cantar como poucas, como sabe ultrapassar e até tirar proveito dos seus limites. Quem a ouviu cantar fados do repertório de Lucília do Carmo, ou da autoria de Artur Ribeiro, Max, Arlindo Carvalho, ganhou a noite.

Lenita Gentil com o mestre Joel Pina
E diga-se que o Festival Alfama deu grandes oportunidades aos milhares de espectadores para perder a noite. 
A atuação de Ana Moura numa parceria com António Zambujo resultou numa frustração para quem queria ouvir a fadista. 
Alguém devia dizer ao guitarrista de Ana Moura, o talentoso Ângelo Freire, como lhe diria Alfredo Marceneiro, para não se «armar em saliente»: o fadista não pode ir atrás do guitarrista, numa correria para ver se consegue encaixar o poema do fado no acompanhamento. 
Ricardo Ribeiro perdeu uma excelente oportunidade para estar calado quando aproveitou o palco para dirigir referências acintosas a Camané – ausente este ano do programa. 
O horário e elenco dos palcos pequenos – onde reside o charme de Alfama e onde vai o público mais seletivo do Festival -, deviam respeitar a programação anunciada.

(continua para o segundo dia)
A não esquecer: Para além deste Festival, uma vez por ano, Alfama tem Fado todos os dias.
Fotos Joana Francisca, Texto João Francisco, 
Beco das Barrelas / D.R. 

domingo, setembro 14, 2014

O Tejo em Pessoa

Olho e Tejo, e de tal arte
Que me esquece olhando,
E súbito isto me bate
De encontro ao devaneando –
O que é ser rio, e correr?
O que é está-lo eu a ver?

Fernando Pessoa

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, 
mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia 
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia
Alberto Caeiro


Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
Ricardo Reis 

Outra vez te revejo - Lisboa e Tejo e tudo...
Álvaro de Campos 

Fotos Francisco João / Beco das Barrelas / D.R.

quarta-feira, setembro 10, 2014

Do cotovelo da Terra à pestana do Mundo...

FERNÃO MENTES? VOLTA À CENA
´
33 anos após a estreia, a Companhia de Teatro A Barraca repõe a peça “Fernão Mentes?”, adaptação de Hélder Costa da “Peregrinação” de Fernão Mendes Pinto. Como então se dizia, “'Fernão Mendes Pinto somos nós'. Como agora ainda diz Hélder Costa, “Um pouco como nós todos, não é?”

Com uma nova montagem mas com o mesmo texto, baseado no monumento da literatura mundial que é a “Peregrinação”, “Fernão Mentes?” mantém a música original de José Afonso, Fausto Bordalo Dias e Orlando Costa que fez o grande espectáculo musical dos anos 80. Em cena mantêm-se dois dos actores do elenco de há 33 anos, Maria do Céu Guerra e João Maria Pinto.

Em cena no Cinearte, em Santos,
Quinta a sábado – 21h30, Domingo – 17h

Grande Final: Quando às vezes ponho diante dos olhos...

Quando às vezes ponho diante dos olhos
A lusitana viagem medonha que eu dobrei
Os tormentos passados e os fados que chorei
Arde o corpo em oração entre pecado e perdão
Agonia o coração e arde o corpo
Do cotovelo da terra á pestana do mundo
Fui treze vezes cativo dezassete vendido

(Fausto Bordalo Dias, Por este rio acima)

segunda-feira, setembro 08, 2014

Mobilidade em Lisboa

Passeios e conferências integram a Semana Europeia da Mobilidade em Lisboa, de 16 a 22 de Setembro, com atividades em toda a cidade que visam promover meios de transporte alternativos.
A iniciativa é da Comissão Europeia, sendo organizada na capital portuguesa pela Câmara de Lisboa.
O objetivo é promover alternativas de transportes “mais sustentáveis”, como é o caso dos transportes públicos, da bicicleta ou da caminhada, afirmou à Lusa o diretor municipal de Mobilidade e Tráfego da autarquia, Tiago Farias.
Segundo Tiago Farias, Lisboa “está no caminho certo” para inverter a situação de grande aumento da taxa de motorização, “mas ainda tem um longo percurso a percorrer para chegar ao objetivo de ser uma cidade sustentável”.
Falta sobretudo uma rede de transportes públicos de qualidade e uma mudança dos comportamentos dos munícipes, assinalou o responsável, referindo que é nesse sentido que é importante criar iniciativas como a Semana Europeia da Mobilidade.
Isto é, falta quase tudo mas há uma Semana da Mobilidade, com passeios pedonais e de bicicleta, conferências e atividades ao ar livre. A semana termina com o Dia Europeu Sem Carros, no dia 22, no qual os munícipes são desafiados a ir de bicicleta para o trabalho.
A iniciativa do Dia Europeu sem Carros começou a ser seguida em Portugal em Setembro de 2000. Nesse ano, às oito da noite do “Dia sem Carros”, as televisões exibiram ministros, autarcas, gestores e outras personalidades a circularem de metro, autocarro, carro elétrico, bicicleta, trotinete, de patins e mesmo a pé. No ano seguinte, já de patins calçados, o governo da época deixou cair a iniciativa à qual, aliás, os automobilistas já não achavam graça nenhuma. E, daí por diante, o “Dia sem Carros” passou a ser meramente simbólico. 

A mais antiga iniciativa de Lisboa sem carros data de 1686. D. Pedro II mandou gravar em pedra e implantar na Rua do Salvador, uma transversal entre a Rua das Escolas Gerais e a Rua de São Tomé, uma determinação para regular a circulação e as prioridades de coches, seges e liteiras, que geravam com frequência situações de confronto na zona. 
Será a mais antiga placa de sinalização de trânsito de Lisboa e ainda lá está: 
Anno de 1868: Sua Magestade ordena que os coches, seges e liteiras que vierem da Portaria do Salvador recuem para a mesma parte. 


quarta-feira, julho 30, 2014

Diz que é uma espécie de praia

Quando vi a "praia urbana" do Jardim do Torel, na antevéspera da inauguração, disse cá para mim que aquilo era apenas uma espécie de praia, um tanque com uma caixa de areia pela frente.
Depois lembrei-me que toda a vida vi miúdos sem praia desta Lisboa a refrescarem-se no Verão em tudo quanto são chafarizes da cidade, a molharem os pés em tudo quanto são fontes, a mergulharem de chapa nos tanques, a nadarem nos lagos.
E fiquei a pensar que afinal vai haver ali, no Jardim do Torel - já de si tão belo, fresco, deslumbrante de vistas -, uma praia em Lisboa para miúdos sem praia.
Bem vindos à praia urbana. Vai haver mais, para além do Torel.

Leia a notícia aqui: Ou aqui

Foto Francisco, texto João, Beco das Barrelas / D.R.

sábado, julho 26, 2014

A voar por cima das águas...


Agora que tantos lisboetas andam de nariz no ar por causa dos aviões – e em certos casos da falta deles - recordamos que Lisboa teve em tempos dois aeroportos (2), construídos em simultâneo no final dos anos 30 do século passado: o nosso conhecido Aeroporto da Portela e o Aeroporto Marítimo de Cabo Ruivo, destinado aos hidroaviões transatlânticos.
A ideia era a complementaridade. Lisboa, cidade mais ocidental da Europa, receberia os voos transatlânticos do continente americano e distribuiria depois, a partir da Portela - a 3 km de Cabo Ruivo -, o tráfego para a Europa.
Há quem conte que tudo nasceu de um encontro em Novembro de 1933, entre Charles Lindbergh e o almirante Gago Coutinho, os conquistadores das travessias do Atlântico Norte e Sul, e que a Pan American Airways esteve na origem do empreendimento.
O primeiro voo para o Aeroporto Marítimo de Cabo Ruivo aconteceu em 29 de Junho de 1939; os voos comerciais dos hidroaviões foram desativados após a II Guerra Mundial.
Fascinante é que há imagens PARA VER AQUI dessa fantástica coabitação entre hidroaviões e canoas do Tejo. 
Agora imaginem quantos romances de espionagem, de acção e de amor poderão ter embarcado e desembarcado em Cabo Ruivo. Será que os passageiros do voo de Casablanca, em 1941, desembarcaram em Lisboa e depois seguiram para a América de hidroavião a partir de Cabo Ruivo? Mas esses, se perdessem a ligação, teriam sempre Paris... 

quarta-feira, julho 23, 2014

Arte urbana para levar para casa

A Zest – Books for Life vai lançar no último dia deste mês um álbum fotográfico de Street Art da cidade de Lisboa.
São no essencial pinturas urbanas de 2012 e 2013, num total de 188 murais, reunindo trabalhos de notáveis artistas nacionais e internacionais, de dimensões mínimas e de vasta escala, criadas por diversas gerações de autores, com técnicas e discursos totalmente distintos.
O lançamento está marcado para o dia 31, na LX Factory (Livraria Ler Devagar) –, às 18h 30, com pintura ao vivo por Vanessa Teodoro.
O Beco das Barrelas tem todo o gosto em antecipar a publicação de uma das mais sugestivas pinturas reunidas no volume de Street Art da cidade de Lisboa, da autoria do artista Alexandre Farto Vhils.
O volume inclui o mapa com a localização das 188 pinturas urbanas recenseadas: 
a pintura de  Alexandre Farto Vhils  encontra-se na Travessa das Merceeiras, na antiga freguesia da Sé. 

domingo, julho 13, 2014

Ar livre

Esplanada do Torel
Lisboa, a cidade das belas vistas, tem espaços abertos e esplanadas para viver o lazer ao ar livre.
Toda a cidade convida a estar-se bem, à sombra, gozando a vista, o sol, a sombra, o ar livre. Vistas panorâmicas e pequenos ambientes mais exclusivos, em Lisboa há sempre  ar livre .

Martim Moniz

Está-se bem em Lisboa, ao ar livre. 
É só escolher:

- Ribeira das Naus
- Praça do Comércio
- Padrão dos Descobrimentos
- Docas de Santo Amaro
- Quiosque da Av. da Liberdade
Linha d'Água

- Miradouro de S. Pedro de Alcântara
- Esplanada do Torel
- Esplanada da Graça
- Portas do Sol
- Jardim do Tabaco
- Pátio do Siza
- Praça do Município
- Brasileira e Benard 
- Miradouro de Santa Catarina
Brasileira
- Príncipe Real
- Quiosque do Camões
- Largo do Carmo
- Linha d´Água, Parque Eduardo VII
- Café Lisboa, Largo de São Carlos
- Café no Chiado
- Café Nicola, Rossio
- Pastelaria Suíça, Rossio
Benard
- Rua Nova do Carvalho
- Quiosque da Praça D. Luís
- Cais do Gás, Cais do Sodré
- Mercado da Ribeira
- O das Joanas, Intendente
- Centro Cultural de Belém
- Esplanadas da Alameda dos Oceanos
- etc., etc., etc.
Fotos Beco das Barrelas / D.R. 

sexta-feira, julho 11, 2014

Nova Santa Engrácia na Ribeira das Naus


Foram as infindáveis obras do Metro na Praça do Comércio – com parte da cidade a afundar-se -, as obras infindáveis na própria Praça, as obras no Ministério das Finanças, as obras infindáveis da requalificação da Zona Ribeirinha – no dia da conclusão da primeira fase foi anunciado o arranque da segunda fase -, foi o desvio do trânsito da Ribeira das Naus para a Rua do Arsenal e Bernardino Costa, mais as obras na estátua do próprio D. José e as obras no Arco da Rua Augusta, foi o avanço sobre o rio com criação de um espaço verde e de uma pequena praia…

A zona da Praça do Comércio e respectivas redondezas está em obras há perto de duas décadas. Só a ligação do Metro da Baixa-Chiado a Santa Apolónia – inaugurada em 19 de Dezembro de 2007, pelos sucessivos atrasos na Praça do Comércio -, demorou 11 anos. Foi agora anunciado que o trânsito na Avenida Ribeira das Naus, cortado em Abril, será retomado em Setembro mas com muitas restrições. As obras não acabaram…

Corta o trânsito, desvia o trânsito, interrompe o trânsito, condiciona o trânsito, engarrafa o trânsito… Talvez no final de tudo isto – a haver um final – a Cidade e os lisboetas ganhem com tanta obra, tanta interrupção, tanta demora e tanto atraso. Mas que Lisboa e os lisboetas penaram, lá isso penaram!

Um inquérito da agência Lusa no local, publicado nos jornais, revela que os comerciantes e residentes na zona estão divididos: uns criticam o caos no trânsito na Ribeira das Naus; mas outros acreditam que no final vai ser bom para o turismo.
Texto e fotos Beco das Barrelas / D.R. 

terça-feira, julho 08, 2014

Há Festa no Intendente

Duas ruas correndo paralelas à Avenida Almirante Reis, a dos Anjos, a norte do Largo, a do Benformoso, para sul, duas travessas transversais, a do Cidadão João Gonçalves, a poente, a do Maldonado, a nascente, e aqui vai o Intendente, bairro em festa até 27 de Julho. Às sextas, sábados e domingos, agora é no Largo do Intendente.


Já houve Conexão Lusófona, com António Zambujo, Lura, Paulo de Carvalho, Couple Coffee, Calema, Patche di Rima, Projeto Kaya, Laloran Tasi Timor. Seguem-se os Dead Combo. Mais lá para diante apresenta-se a Orquestra Libertina de Lisboa.
O Intendente é hoje um bairro, entre Arroios e a Mouraria, com vida própria, comércio multicultural – da Loja da Viúva Lamego à mercearia indiana, do vestuário africano à Loja dos Cahpéus -, vida associativa – do Intendarte ao Sport Clube Intendente -, cultura e lazer, restauração – Cova Funda e Oh Nesta Mente - e bares: Bar Securas, Bar Ferro Velho, Josephine Bistrô, Cantinho do Benformoso, Horiginal, Catch Up, Bar Palma, Bar Sarriá, Bar Tominho.
 
Quanto ao programa das festas no Largo do Intendente é como se segue:
11 julho (22h00) Dead Combo
12 julho (23h00) Valete, Halloween
18 julho (22h00) Mandela Day com Carlos Barretto, In Loko Band e convidados Selma Uamusse, Melo D e General D
19 julho (22h00) Orquestra Libertina de Lisboa e convidados JP Simões e Susana Travassos
25 julho (22h00) O Barbeiro do Intendente com Ana Sofia Varela, Anita Guerreiro, Carla Galvão, José Miguel Vitorino, Manuel João Vieira e Tânia Alves

26 julho (22h00) Uma Noite de Verão da Amor Fúria com Asterisco Cardinal Bomba Caveira, Capitães da Areia, Manuel Fúria e os Náufragos, Pedro Lucas.

Texto João Francisco
fotos da Joana Francisca / D. R. 

sexta-feira, julho 04, 2014

Um homem na cidade, no País e no Mundo

Agarro a madrugada
como se fosse uma criança,
uma roseira entrelaçada,
uma videira de esperança.
Tal qual o corpo da cidade
que manhã cedo ensaia a dança
de quem, por força da vontade,
de trabalhar nunca se cansa.
Vou pela rua desta lua
que no meu Tejo acende o cio,
vou por Lisboa, maré nua
que desagua no Rossio.
Eu sou o homem da cidade
que manhã cedo acorda e canta,
e, por amar a liberdade,
com a cidade se levanta.

Vou pela estrada deslumbrada
da lua cheia de Lisboa
até que a lua apaixonada
cresce na vela da canoa.
Sou a gaivota que derrota
tudo o mau tempo no mar alto.
Eu sou o homem que transporta
a maré povo em sobressalto.


E quando agarro a madrugada,
colho a manhã como uma flor
à beira mágoa desfolhada,
um malmequer azul na cor,
o malmequer da liberdade
que bem me quer como ninguém,
o malmequer desta cidade
que me quer bem, que me quer bem.

Nas minhas mãos a madrugada
abriu a flor de Abril também,
a flor sem medo perfumada
com o aroma que o mar tem,
flor de Lisboa bem amada

que mal me quis, que me quer bem!

Poema de José Carlos Ary dos Santos
Música de José Luís Tinoco
Álbum - Um Homem na Cidade

4 de Julho, 17 horas, homenagem a Carlos do Carmo na CML

quinta-feira, julho 03, 2014

Dois anos a blogar por Lisboa

O blogue Beco das Barrelas completou dois anos de publicação. Nascemos em Julho de 2012, na sequência de um passeio por Alfama.

«E se fizéssemos um blogue?» perguntámos a nós próprios, contemplando a série magnífica de vistas que tínhamos recolhido no bairro.

Fizemos um blogue ao qual decidimos chamar Beco das Barrelas, um dos recantos que visitámos naquele dia de Julho, com mais sol e mais calor que este ano.

De então para cá publicámos 326 mensagens, para as quais recebemos mais de 55 mil visualizações e centena e meia de comentários.

Fomos visitados em 52 países de cinco continentes. Os países com mais visitantes foram, por esta ordem: Portugal, Estados Unidos, Brasil, Rússia, Alemanha, França, Espanha, Reino Unido, China e Canadá. Também fomos visitados em Angola, Moçambique, Macau e Timor-Leste. Mas também na Dinamarca, Suécia e Noruega, no México, Panamá, Colômbia, Venezuela, Chile e Argentina, na Tunísia e Suazilândia, em Israel e nos Emirados Árabes Unidos, em Singapura, Paquistão, Índia, Coreia do Sul, Indonésia, Malásia e Japão. E na Austrália.

As mensagens com maior número de visitas foram, por esta ordem, as seguintes:

Burras assadas é no Beco dos Surradores

O Outono do general 

Blimunda encontra Gabriela… em Lisboa

Histórias que os filmes contaram sobre Lisboa

A primeira greve em Portugal foi em Lisboa em 1849...

Há 25 anos ardeu o coração de Lisboa - Fotos de Luís Manuel Vasconcelos

Os navegadores mais utilizados pelos visitantes para visualização do Beco das Barrelas foram: Internet Explorer, Chrome, Firefox e Safari. Os sistemas operativos mais correntes: Windows, Macintosh, Linux, iPad, iPhone, Android.

Ao completar dois anos, prometemos continuar a amar Lisboa e a blogar. Visitem-nos. 

quarta-feira, julho 02, 2014

SOPHIA E LISBOA

Digo:
"Lisboa"
Quando atravesso - vinda do sul - o rio
E a cidade a que chego abre-se como se do meu nome nascesse
Abre-se e ergue-se em sua extensão nocturna
Em seu longo luzir de azul e rio
Em seu corpo amontoado de colinas -
Vejo-a melhor porque a digo
Tudo se mostra melhor porque digo
Tudo mostra melhor o seu estar e a sua carência
Porque digo
Lisboa com seu nome de ser e de não-ser
Com seus meandros de espanto insónia e lata
E seu secreto rebrilhar de coisa de teatro
Seu conivente sorrir de intriga e máscara
Enquanto o largo mar a Ocidente se dilata
Lisboa oscilando como uma grande barca
Lisboa cruelmente construída ao longo da sua própria ausência
Digo o nome da cidade
- Digo para ver

Sophia de Mello Breyner Andresen
Fotos Beco das Barrelas / D.R. 


BECO DAS BARRELAS: 
DOIS ANOS NA BLOGOSFERA

Segunda-feira, 2 de Julho de 2012

Olá, cá estamos nós. 

Este é um blogue para quem ama Lisboa.

Vamos encontrar-nos. Aqui. 
Até já!