segunda-feira, março 02, 2015

Turistas sustentam Casas de Fado

Amália e Fernando Maurício na Rota do Fado na Mouraria
Um inquérito do jornal SOL revela que a retracção da clientela portuguesa nas casas de Fado, verificada nos últimos anos, tem sido de algum modo compensada por aumento da clientela de turistas estrangeiros. Hoje em dia, as casas de fado são frequentadas por 20 a 30 por cento de portugueses. Antes da actual crise financeira e económica, os portugueses chegaram a constituir 80 por cento dos frequentadores das casas de Fado.

Senhor Vinho, na Madragoa

A situação económica do país tem afastado os portugueses destes locais, diz no referido inquérito a presidente da Associação Portuguesa Amigos do Fado. O gerente de uma das casas auscultadas pelo inquérito sublinha que o negócio tem evoluído negativamente porque «as pessoas não têm dinheiro para comer, não podem gastar, não pedem bebidas, dividem as doses, é tudo diferente».
O aumento da afluência de clientes estrangeiros tem aguentado o negócio. A elevação do Fado a Património Imaterial da Humanidade, pela UNESCO, em 2011, motivou maior procura por parte de estrangeiros, ao mesmo tempo que a procura interna caía de forma acentuada, com a agudização da crise por via da austeridade. 

O Faia, Bairro Alto
A Associação Portuguesa Amigos do Fado também regista, nos últimos anos, uma maior procura do Fado por parte de um público mais jovem, nacional e internacional, interessado também por via da classificação da UNESCO.
Mas a classificação da UNESCO não se traduziu num correspondente aumento da promoção e protecção das casas de Fado, sobrecarregadas nos seus gastos gerais pelo constante aumento dos custos da água e electricidade, da carga fiscal, com o IVA a 23 por cento considerado ruinoso pela restauração em geral, como também pelos custos das taxas à Sociedade Portuguesa de Autores e à Direcção Geral de Espectáculos.
Mesa de Frades, Alfama





Actualmente existem perto de três dezenas de casas de Fado em Lisboa, concentrando-se particularmente em Alfama, Mouraria, Madragoa e Bairro Alto. Um número indefinido de casas de Fado mais populares – mas onde o Fado era também cantado e ouvido com mais exigência e rigor - encerrou nos últimos anos. 

Sem comentários:

Enviar um comentário